Por Zico Farina*
2010 acabou, 2011 está começando. Acabei de atravessar a pilha de correspondências de 10 dias de folga. 70 anos, na visão de cachorros bem alimentados que somos, e ainda com a ardência do sol e a felicidade de encontrar amigos. Ano novo é basicamente isso: novas energias.
Na Folha do domingo, dia 2 de janeiro de 2011, tinha uma matéria incrível da Laura Mattos. Ali, eu vi o quanto as pessoas estão dispostas a pagar para ter informação. Ter conteúdo. Ter acesso. Sem ser de graça. Dispostas a abrir suas carteiras e desembolsar uma quantia para crescer e aprender.
Junto da pilha de jornais que separavam a porta do elevador e a porta da minha casa, tinha uma conta da NET e de todos os serviços que pago mensalmente: TV e internet. O numerário: uns 390 dinheiros.
Isso aqui não é sobre a NET, isso aqui é outra coisa: é sobre como a internet está mudando o mundo e também o mundo dos negócios.
Quando a Laura fala de como é possível pagar para ter acesso a clássicos da teledramaturgia nacional, consultando o seu distribuidor pirata cool, com títulos de Gabriela a Dancing Days, o valor pode chegar a 500 reais.
A loja da Apple tem faixas vendidas a 99 centavos de dólar; a Merge Records tem álbuns inteiros não passando de 19 dólares. Aí você percebe que algo está errado. O Radiohead disponibilizou o álbum In Rainbows e deixou o internauta pagar o valor que ele achava justo.
Ninguém é ingênuo a ponto de não saber que uma novela, um filme, um clip, uma música têm direitos autorais, que nada mais servem – justamente – para pagar o alto investimento de grandes corporações para produzir com qualidade, novas tecnologias e com um elenco de talentos que garantam isso.
Minha pergunta: por que as detentoras dos direitos autorais, as mesmas que gastaram fortunas e nos mandam contas exorbitantes todos os meses – e pagas por esse que vos escreve – não decidem ganhar dinheiro vendendo mais por menos?
Atacado e varejo. Consumo de massa. Oferta e procura.
Provavelmente a minha conta deva subsidiar uns 100 NET-Gatos.
Os piratas estão nos ensinando que existe um grande mercado. Mas um mercado que não está disposto a pagar mais do que vale e ser enrolado.
Pirataria é crime. Aprender a combater a pirataria começa por não roubar seus próprios clientes.
Dica: mande um e-mail para a empresa que você consome e consome você dizendo: eu quero pagar menos.
* Zico Farina, 42 anos, é professor titular do Curso de Criação da ESPM-RS e Diretor de Criação da agência Africa, onde já criou para Banco Itaú, Vivo, Vale e Walmart. Formado em 1992, em Publicidade e Propaganda, iniciou sua carreira em Porto Alegre. Já em São Paulo, trabalhou na Bates Brasil e Y&R. Criou para Cervejarias Kaiser, Bradesco, Gazeta Mercantil, Wellla, Greenpeace, Perdigão, Pfizer, Mercedes-Benz, Danone, Colgate-Palmolive, Texaco, TAM e Vivo, entre outros. Tem uma série de trabalhos premiados no mais importante festival de publicidade do mundo, de Cannes, e também no London Festival, Graphics Advertising, Comunication Arts, revista Archive e no Anuário do Clube de Criação de São Paulo.


