The end

* Por Zico Farina, diretor de Criação da Agência África

Fim de ano. Época mundial de fazer planos, listas, sonhar com outra vida, outro trabalho, outro filho, outro casamento, outra viagem, outro qualquer coisa. Nessa época do ano é proibido pensar em conformismo. Pensar que tá tudo bem, que tá tudo certo, que vamos em frente como as coisas estão.

Existe uma necessidade de mudança. Não sabemos do que, mas sabemos que é preciso. Nos tornamos seres insatisfeitos com a nossa própria satisfação. Quando eu era pequeno, os mais velhos se referiam a isso como “bicho carpinteiro”. Um negócio que não víamos, mas que era responsável por uma inquietude corporal. Viramos um bando de seres insatisfeitos. Não curtimos nenhuma conquista, não vibramos com nenhuma vitória, tenha ela o tamanho que tiver, não nos damos um tempo. Queimamos, simplesmente. Queimamos sem pensar.

Nessa época do ano que se diz de paz e alegria entre os homens é justamente quando queremos matar o cara do carro da frente, os sujeitos que escutam a música alta no prédio do lado, ou os malucos que se tapeiam pela última peça da liquidação. Blasfemamos contra todas as mães nas filas intermináveis em lojas, embarques de aviões, pedágios e filas para o pãozinho nas padocas.

O espírito de Natal, as luzinhas que tomam conta das ruas e explicitamente mostram a nossa cafonice para o mundo. A interminável festa de final de ano da firma e os amigos secretos sem graça.

Mas por tudo isso, por ser justamente como parece ser, como é, que eu gosto tanto dessa época do ano.

Por que? Porque em 2012 vai ser diferente. Por que eu sei disso? Porque todos nós acreditamos que vai. E acreditar é meio caminho para ser.

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