Um olhar sobre as calçadas de São Paulo

Já parou para pensar nas calçadas da cidade em que você mora? São largas? São baixas? São planas? São boas? Ou isso é pura utopia e elas são apenas… cheias de problemas? A capital paulista fez aniversário nessa semana, mas isso é apenas uma feliz coincidência com o projeto sobre o qual vamos falar aqui. O fato é que as calçadas de São Paulo precisam de atenção, e é isso o que fez o publicitário Zico Farina – conhecido no blog pelo Pensamento Livre das quartas-feiras. Como? Criando o SidewalkingSP, um movimento de pessoas que querem transformar as calçadas em um ato de cidadania. “Se as grandes revoluções começaram pelas ruas, a nossa vai começar pelas calçadas”, explica a apresentação do projeto. O depoimento do próprio Zico, colocado abaixo na íntegra, já diz tudo.

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Foto: Tiago Farina

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Foto: Tiago Farina

SidewalkingSP por Zico Farina

A ideia do SidewalkingSP nasceu de uma observação. Eu vi na rua Renato Paes de Barros, que faz esquina com a rua Itacema, onde moro, um grande exemplo. As calçadas foram padronizadas, são de cimento, são largas, planas e com rampa de acesso para cadeirantes e bebês. Pensei comigo: por que a cidade inteira não é assim?

Faz cinco anos que meu filho nasceu e no primeiro passeio com ele na quadra onde morava, constatei: é impossível andar aqui. Imagine um cadeirante, alguém de idade ou apenas com uma mínima dificuldade de locomoção? Seria um caos, uma aventura sem graça.

Agora, decidi fazer o blog para postar comentários e fotos sobre a cidade. O meu ponto é simples: uma cidade rica como São Paulo não pode ter calçadas assim. A calçada acaba refletindo a individualidade do dono do pedaço; elas são com grama, concreto, pedrinhas, tijolos, granitos, uma infinidade de manifestações do seu gosto em detrimento à verdadeira função da calçada: o passeio público.

O público é plural. E não singular.

Eu pago impostos e quero andar por calçadas planas, largas, padronizadas e com acesso para cadeirantes e carrinhos de bebê. Mais do que isso: as calçadas na minha visão são artérias, são veias onde a vida da cidade pulsa. Delas vêm a moda, as artes, o comportamento, os esportes, a corrida, o caminho para o trabalho, para o bar, para a exposição, para o restaurante, para a escola, para tudo.

Sobre as colaborações: estou entrando em contato com amigos pelas redes sociais e convidando a participarem do seu jeito. Essa é a ideia do blog: ser um espaço democrático como as calçadas. Teremos visões de jornalistas, fotógrafos, jornalistas, escritores, skatistas, corredores, vendedores ambulantes, gente que trabalha nas calçadas, que usa as calçadas.

Os temas são infinitos para o debate. O que eu espero com isso: que o movimento tome corpo até chegar às autoridades competentes. E no futuro – que é daqui 5 minutos -, quando São Paulo parar em função dos congestionamentos, as pessoas vão se dar conta da importância de termos calçadas para andar.

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