A garagem da DM9

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* Por Zico Farina, redator na DM9 e professor da Escola de Criação

O Felipe Gall é um sujeito observador. E por olhar o mundo de um jeito diferente, vê coisas que poucos enxergam. Eu e ele estávamos conversando, quando ele disse: “Você já observou a garagem da DM9? Eu fico orgulhoso de ver mais bikes que carrões”.

Se a localização, o prédio, o hall de entrada, o layout das salas, a decoração dizem bastante sobre uma empresa, a garagem, mesmo escondidinha lá embaixo, diz muito.

A quantidade de bicicletas mostra um pouco das pessoas que trabalham aqui. E por sua vez, as pessoas que trabalham aqui são a empresa.

Eu uso a minha bicicleta todos os dias para vir trabalhar. Nestes últimos 2 meses, andei 5 vezes de carro. Uma para uma reunião distante. As outras quatro no fim de semana, para transportar as bikes.

São Paulo está longe de ser uma cidade amigável com as bicicletas. Aqui, o reflexo da falta de um planejamento urbanístico X a facilidade de acesso a carros, produziu uma monstruosidade chamada trânsito paulistano.

Provavelmente no mundo não exista um trânsito tão selvagem quanto o nosso, onde na cadeia alimentar sobra pra motociclistas, ciclistas e pedestres.

Desde que a cidade começou a pedalar no domingo e nos feriados na ciclo-faixa e diariamente na recém entregue ciclovia do Rio Pinheiros, as magrelas começaram a invadir as ruas.

Berlim tem 750 km de ciclovias. Isso. 750 km. Só na cidade. Aqui, as linhas de metrô não chegam a 100 km somadas. O número de carro é de mais de 1 por habitante. O número de habitantes chega a 20 milhões na grande São Paulo. Conclusão: 235 km de lentidão em uma terça-feira. O caos.

O carro foi o grande símbolo de status no século passado. Servia para transportar egos no lugar de pessoas. Mas hoje, nas grandes metrópoles, isso está mudando.

Eu tenho orgulho de trabalhar em lugar onde as pessoas andam de bike.
Porque se existe um pensamento novo nesse mundo é, como diz o cartaz preso na sala da criação:
“Criatividade é como andar de bicicleta. Se não quiser cair, pedale.”. Eu mesmo tô pedalando.

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